terça-feira, 17 de junho de 2014

DE PAULO AFONSO A ITAPETIM: DUAS MOTOS, UMA VIAGEM, UMA AVENTURA.

Osvalny Santos e o Tio João

     Na década de 1980 eu, o primo Everaldo Sousa Lima e o amigo Willians Vieira realizamos várias viagens em motos Honda  cg 125 cc, saindo de Paulo Afonso para São José do Egito e Itapetim. Nessa época meu sobrinho Osvalny Lima era ainda criancinha. Nascido em 1976, quando via as fotos das viagens que fizemos dizia sempre ser uma aventura  que gostaria de realizar ao meu lado quando surgisse uma oportunidade.
Durante muitos anos esse foi um sonho desejado e agora realizado. Dia 14, sábado passado, saímos de Paulo Afonso às 6:00 horas da manhã em duas motos Honda 150 cilindradas. Um pouco mais atrás, dando suporte e participando da aventura, em um carro,vinha minha irmã Bernadete, seu esposo Osvaldo Santos, meu irmão Manuel  e sua esposa Otília.
Passamos em Petrolândia, Floresta, Serra Talhada e paramos em Calumbi para abastecermos as motos visitarmos o amigo LourinaldoTeles,  que nos aguardava com um farto café da manhã, com direito a queijo, bolo, ovo e pão. Em Calumbi encontramos com a família que vinha um pouca atrás e a partir daí seguimos em comboio. Chegamos em São José do Egito em torno meio dia e em Itapetim chegamos 12:30 onde meu irmão Zezé já nos aguardava para o almoço na casa do sobrinho Weberson "Nen".
      Em Itapetim fomos ao Sítio Maniçobas onde encontramos os primos e primas.
Durante nossa estadia visitamos os familiares que residem na região e encontramos um tio Valderi Batista,que nunca havíamos visto antes.
de Itapetim seguimos a santa teresinha para visitarmos Tia Nilda e de lá seguimos até a cidade de Imaculada para revermos o local onde a família residiu na década de 1950.
Retornamos para Paulo Afonso na segunda, dia 16, passando em triunfo para visitarmos o tio João.
A viagem foi um momento marcante, tanto por propiciar o reencontro com nossos familiares queridos quanto por realizar um sonho de criança de um sobrinho amado. Dessa aventura restou a saudade e a esperança de uma nova oportunidade. Nas lembranças ficaram os momentos, os risos, os abraços e por último a imagem da bandeira brasileira tremulando nas mochilas amarradas nos bagageiros das motos, atraindo olhares, iluminando com suas cores significativas, o sonho de um menino, que sonhava em cruzar as distâncias dos seus sonhos ao lado do tio, pelas estradas da vida.
uma parada pra "estirar as pernas"

Osvalny realizando um sonho de criança

sobrinho e tio em uma aventura

uma visita a Lourinaldo teles

abastecendo as "Máquinas"

chegando  a São José do Egito

a família presente: Osvaldo, Beta e Manuel


com a família no sitio Maniçobas

o sobrinho Weberson que não largou o pé do tio

Osvalny e João

se preparando para visitar tia Nilda

a Igreja de Imaculada: Família unida na visitação.

os dois aventureiros na Igreja de Imaculada

Itapetim se preparando para o São Pedro: Festa tradicional


chegando em triunfo

almoço em Triunfo no restaurante de Beto e Wilanny

Osvalny, Otília, Manuel, Osvaldo e João


a dupla voltando pra casa.

MORRE O CANGACEIRO VINTE E CINCO



          Morreu na manhã deste domingo, 15, o ex-cangaceiro José Alves de Matos, conhecido como ‘Vinte e Cinco’. O último dos cangaceiros de Lampião nasceu na cidade de Paripiranga, na Bahia e tinha 97 anos. José Alves morreu em decorrência de problemas respiratórios.
O ex-cangaceiro ganhou esse apelido por que foi no dia 25 de dezembro de 1933 que ele integrou o bando de Lampião. Com o fim do cangaço, ele se entregou à polícia. Durante o cumprimento da sentença estudou e chegou a concluir o segundo grau.
O sepultamento de José Alves aconteceu nesta segunda-feira (16), no Cemitério Parque das Flores, no Tabuleiro do Martins, parte alta de Maceió.

     José Alves de Matos, o cangaceiro Vinte e Cinco tinha uma memória privilegiada e apesar dos seus 97 anos de idade recebia muitas visitas em sua residência para falar do seu tempo de cangaceiro.
     Em uma de minhas últimas visitas ele lembrou com facilidade que eu havia estado com ele em nosso primeiro encontro há exatos seis anos.
José Alves de Matos nasceu em Paripiranga, Bahia, na fazenda Alagoinha. Teve vários primos e sobrinhos com ele no cangaço, tais como: Santa Cruz, Pavão, Chumbinho, Ventania e Azulão. No dia que entrou para o bando de Corisco o seu sobrinho Santa Cruz entrou no grupo de Mariano.
Vinte e Cinco discutiu com Dadá e saiu do grupo de Corisco para o grupo de Lampião. Podemos vê-lo em foto ao lado de Corisco e em outro momento ao lado de Lampião. Quando da morte de Lampião havia ido com os dois irmãos Atividade e Velocidade buscar uns mosquetões e umas munições.
Vinte e Cinco vem de uma família numerosa, sendo oito irmãos e seis irmãs e depois seu pai casou novamente e nasceram mais cinco homens e três mulheres. Quando acabou o cangaço e se entregou com alguns companheiros em Poço Redondo, Sergipe; Acabou ficando preso por quatro anos em Maceió e dentro da cadeia começou a estudar, quando recebeu o alvará de soltura conseguiu entrar no estado como Guarda Civil, conseguindo a vaga através de um amigo. Quando o governador Ismar de Góis Monteiro descobriu que ele havia sido cangaceiro convocou o secretário de Justiça do Estado, o senhor Ari Pitombo e disse que não podia ficar com ele na guarda pois ele havia sido cangaceiro, o secretário procurou o chefe da guarda, o major Caboclinho e o major disse que ele era entre os 38 guardas o melhor profissional que ele tinha. O Secretário resolveu fazer um concurso entre eles e José Alves contratou duas professoras, esqueceu as festas e curtições e foi estudar bastante o que lhe rendeu o primeiro lugar na primeira fase, na segunda fase se classificou entre os melhores e quase foi reprovado na parte de tiro, pois era acostumado com o Parabellun e teve que atirar com um 38, só passando depois que atirou com o Parabellun e acertou o alvo, depois de duas seqüências de erros com a outra arma. Hoje José Alves de Matos é aposentado como funcionário público estadual.






quarta-feira, 11 de junho de 2014

UMA VISITA AO MUSEU GEOLÓGICO DA BAHIA E AO INSTITUTO NINA RODRIGUES

Orlins, João Lima e Rubens



     Rubens Antonio e Orlins Santana recepcionaram o historiador João de Sousa Lima e o apresentaram ao Museu Geológico da Bahia e ao Nina Rodrigues.
O encontro foi marcado para debater fatos relacionados aos acervos documentais do nordeste.
Rubens Antonio é funcionário do Museu Geológico e Orlins trabalhou muito tempo no Instituto Histórico e Geográfico da Bahia.
Rubens Antonio tem se especializado em colorir as fotos do cangaço, em um trabalho memorável.
João e Rubens



terça-feira, 10 de junho de 2014

ALUNAS DA UFAL REALIZAM TRABALHO SOBRE AS MULHERES NO CANGAÇO

     Alunas da UFAL, encabeçada por Sara, realizam entrevista com o Historiador João de Sousa Lima para trabalho sobre a participação das mulheres no cangaço..
     O encontro para a entrevista aconteceu no Jornal Folha Sertaneja.
    João de Sousa Lima cedeu entrevista e foi convidado pra participar da apresentação do trabalho que acontecerá esses dias.




segunda-feira, 9 de junho de 2014

CANAL DE TV PERNAMBUCANA GRAVA PROGRAMA EM PAULO AFONSO



      Canal de televisão de Recife grava programa Pé na Rua em Paulo Afonso.
A equipe passou por Piranhas, Paulo Afonso e seguiu pra Petrolândia.
O programa irá ao ar em setembro.
Em Paulo Afonso foi gravado sobre o Rio São Francisco, as Usinas e o cangaço. Roteiros turísticos que representam bem a cidade de Paulo Afonso e região.
João de Sousa Lima e João Bosco representaram  a cidade.


quinta-feira, 5 de junho de 2014

LAMPIÃO NA REVISTA “MITOS DA HISTÓRIA DO BRASIL” (MENTIRAS HISTÓRICAS).


     

LAMPIÃO NA REVISTA “MITOS DA HISTÓRIA DO BRASIL” (MENTIRAS HISTÓRICAS).

    Em referencia ao texto de Maria Carolina Vieira, Revista TOP 10, ano 1, nº 1  2014, páginas 36 à 39, com o Título: “ROBIN HOOD ÀS AVESSAS”, torna-se necessário as análises dos especialistas do tema, com o intuito de reparações históricas para que os erros das informações não se repitam e não se propaguem.
     Na página 36, salvo o direito de expressão e criação do artista, sem essa balela de homofobismo, a imagem do Rei do Cangaço aparece com uma calça tão justa que faria inveja aos componentes da banda “Restart” e a Zezé de Camargo, figura que causaria no mínimo espanto e reprovação aos olhos dos sertanejos, estilos diferenciados ao que se usava na época do cangaço. No texto da foto cita que as estrelas dos chapéus eram pintadas e na verdade as estrelas eram confeccionadas em couro e costuradas.
     Citando a entrevista de Lampião ao médico Octacílio Macedo, a jornalista diz que o cangaceiro justificava seus atos agindo como se fosse um movimento social e pra se fazer esse questionamento torna-se necessário uma análise mais complexa e aprofundada, questão pra ser levada ao leitor não como afirmativa e sim analítica, até porque Lampião não tinha aspirações políticas-sociais nenhuma; Ele nunca deixou transparecer nada em relação à concentração de terras nas mãos de uma minoria. Essa não era uma preocupação do cangaço.
      Na página 38 o texto começa dizendo que “o cangaço nasceu como opção para tirar à força aquilo que não tinham meios legais de alcançar”..... Na verdade essa é uma justificativa  muito vaga. O cangaço surgiu por várias consequências sociais, burocráticas  e diversificadas. Muitos homens e mulheres entraram no cangaço por motivos diferenciados. O texto diz ainda que os cangaceiros se escondiam no Agreste e a verdade é que a maior parte do tempo o lugar de esconderijos dos cangaceiros era no Sertão, nas caatingas; No Agreste eles tiveram passagens esporádicas e por curto tempo..
     Lampião nunca ganhou fama como sendo “O ROBIN HOOD DO SERTÃO” como afirma a sequência do texto; Na verdade essa comparação surgiu anos depois da morte de Lampião, de análises individuais de alguns pesquisadores e fãs do Rei do Cangaço.
     No tópico “CHUMBO PRA TODO LADO” é citado que o cangaço em alguns momentos foi dissolvido pela ação dos coronéis. Quando aconteceu isso? Os coronéis, muitos deles, foram coniventes e apoiaram o cangaço. Na sequência cita que o dinheiro dos cangaceiros era pra cobrir despesas do próprio grupo e o que sobrava era pra ser distribuído como esmolas.  Essa é uma afirmativa inverídica; Em todos os meus anos de pesquisas e entrevistas eu nunca ouvi falar isso. Fato que comprova o que digo é que nas mortes dos cangaceiros havia com eles uma verdadeira fortuna. Só quem não estuda o tema com o necessário rigor histórico afirma esse tipo de coisa.
     Na página 39, em destaque, a jornalista cita como verdade, três histórias que todos conhecem  como “Lendas do Cangaço”; aquelas velhas “ESTÓRIAS” que faz rir os pesquisadores sérios: A velha história do Sal, Lampião aparando criancinhas na ponta do punhal e o rapaz dos testículos trancados na gaveta. Esses fatos só são propagados por “curiosos”  que acham estarem contando verdades  históricas e acabam propagando mentiras.
      No texto “PELO AMOR DE UMA MULHER”, começa dizendo que o nome de Maria  Bonita é Maria Déa Neném. Um absurdo, pois todos que pesquisam o tema sabem que o nome de Maria Bonita é Maria Gomes de Oliveira. Bastava uma simples ida da jornalista ao GOOGLE para descobrir esse detalhe simples.
      Lampião e Maria Bonita se conheceram em 1929 e não em meados de 1930 como diz na revista. Maria não fugiu largando o marido para ir com Lampião, na verdade Maria e Zé de Nenê estavam separados há 15 dias e ela estava na casa dos pais.
     Nas referências,  intitulado: “DESCUBRA MAIS” é indicado o filme Lampião, o Rei do Cangaço, de 1964, como fonte de informação.
Já pensou em aprender sobre o cangaço assistindo um filme de ficção? Que pesquisadores teremos?
Francamente, exijo que a história seja levada mais a sério e os oportunistas de plantão se conscientizem que os fatos históricos desse período merecem um cuidado especial, pois fazem parte da história do Brasil.

Paulo Afonso, 05 de Junho de 2014.
João de Sousa Lima
Historiador e Escritor.
Membro da ALPA – Academia de Letras de Paulo Afonso.
Membro  do IGH – Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso.
Membro do GECC – Grupo de estudos do cangaço do Ceará.
Autor de 06 livros sobre o cangaço.
Biógrafo de Maria Bonita.






A HISTÓRIA DO CINEMA EM PAULO AFONSO ( texto de João de Sousa Lima)

Zé do Cinema- acervo de João de Sousa Lima

    

PAULO AFONSO E A SÉTIMA ARTE.
“ZÉ DO CINEMA E O CINE VOLANTE”.


     Paulo Afonso já serviu várias vezes para locações e roteiros para filmes, a cidade respirou a sétima arte. Desde as primeiras filmagens do engenheiro da CHESF Bret Cerqueira Lima com uma filmadora de 16 mm, hoje exposta no memorial da empresa, passando por Osvaldo Maciel que na década de 1970 dentre várias imagens importantes e históricas, gravando os shows dos Supermercados Pesqueira, realizou o filme “BUSCA”, em super 8 mm, até chegar as grandes produções como foi “ TRÊS CABRAS DE LAMPIÃO”, realizado em 1960, tendo o famoso Milton Ribeiro como estrela principal. O filme contou com a participação de vários Pauloafonsinos, como exemplo a atuação de Horácio Campelo.  Também o Lampião e Maria Bonita, realizado pela Rede Globo, um seriado que fez muito sucesso no início dos anos 80.
     A cidade teve seu auge cinematográfico com a chegada de vários cinemas. No início as projeções foram realizadas por Zé Aprígio (pai de Nelson da Eletrolux). Zé Aprígio passava filmes nas cidades e nos povoados circunvizinhos e depois passou a exibir filmes na Casa de Hóspedes da CHESF, sendo que cada pessoa levava seu próprio banco ou então teria que assistir sentado no chão.
     Dentro do acampamento da CHESF surgiram as salas de projeções nos clubes CPA - Clube Paulo Afonso e o COPA- Clube Operário de Paulo Afonso. No COPA o encarregado de passar os filmes era Mário Santos, Enaldo Rocha e Paulo Litó. No CPA o encarregado era Timóteo “Gato” e o rebobinador dos filmes era Violão.
     Na Vila Poty, situado na “Rua da Frente” surgiu o Cine Paulo Afonso, construído por Noé Pires de Carvalho. O operador era o Ramos “Sete Espigas”. Depois Noé Pires vendeu o cinema a Fernando “Ratinho” que mudou o nome pra Cine Tupy e quem realizava a manutenção nas máquinas e passava os filmes era seu filho Osvaldo Santos “Ratinho”. Tempos depois Fernando Ratinho vendeu o cinema pra Dona Sílvia e ela se associou a José Rudival, mudando o nome para Cine Palace.
     O segundo cinema foi o Cine São Francisco, situado na Rua Monsenhor Magalhães e pertencia aos irmãos Ivinho e Ivan. O cinema funcionava em um prédio alugado a Zuca do Moinho. Depois esse cinema mudou de endereço, indo pra Rua da Frente (Rua Getúlio Vargas).
     O terceiro cinema foi o Cine Coliseu, um projeto grandioso construído por Cícero Lins de Albuquerque. Um prédio com um desenho arquitetônico portentoso e que permanece atual até hoje. O nome Cine Coliseu foi dado pelo querido e saudoso D. Mário Zanetta. Cícero Lins comprou várias casas para poder ter o terreno no tamanho desejado para a construção do cinema. Vários artistas de renome nacional se apresentaram no Cine Coliseu. Lá também foi palco de grandes descobertas musicais, novos talentos surgiram no famoso programa “Coliseu Show”.
     Luiz Gonzaga foi um mais famosos artistas a se apresentar no Cine Coliseu, porém passou pouco tempo como proprietário vendendo-o a Zé Rudival. O encarregado da manutenção das máquinas era Osvaldo Ratinho e um dos “Maquinistas” era Manuel da Locadora. Tempos depois Zé Rudival construiu no BTN o “Cine Regina”.
     A cidade respirou cinema por muito tempo. Rudival inovou com os anúncios dos filmes. Quando foi ser projetado o filme “Django”, ele colocou uma pessoa vestido à caráter, portando cartucheiras com revolveres, chapéu  e desfilando com um caixão de defunto pelas ruas. Quando exibiu “Se Meu Fusca Falasse” ele transformou um fusquinha em uma réplica do fusca usado no filme. Pra representar Sansão, Macistes, Ursos e Hércules, ele colocava um homem forte, amarrado com pesadas correntes, desfilando em um carro e distribuindo alguns ingressos. Era uma farra pra meninada que ia formando verdadeiro cortejo atrás do veículo que cruzava as diversas ruas.
     Muitos homens simples também viveram da arte da projeção de filmes na região. Com os projetores de 16 mm, que era fácil de transportar, alguns percorriam os povoados exibindo filmes. Uma das equipes que mais viajou passando filme na região era formada por Geraldo “Relojoeiro” e o cantor evangélico Rosenberg Wanderley. Porém quem mais se destacou com esse tipo de projeção foi o senhor José Bezerra da Silva, conhecido por Zé do Cinema. Durante muito tempo ele percorreu os lugares mais difíceis de chegar, levando o cinema a lugares inimagináveis.
     Zé colocava um equipamento de difusora no carro e saía anunciando os filmes.
      Fiquei fascinado quando soube através de Geraldo Relojoeiro sobre a façanha de Zé do Cinema e topei o desafio de procurá-lo pra entrevistá-lo. Depois de várias tentativas encontrei uma filha de Zé, a senhora Ruth Bezerra Santos e depois de ouvi-la fiquei sabendo que seu pai já era falecido mais que ainda restavam alguns filmes que tinha sido do seu acervo e que se encontrava em posse de sua esposa Eulina Bezerra, que residia no bairro Tancredo Neves. Com o endereço em mãos segui ao BTN e lá pude conversar com dona Eulina. Ela acabou me vendendo o acervo de filmes em 16 mm. Lá estavam: A PAIXÃO DE CRISTO, TARZAN “O REI DAS SELVAS”, A MORTE COMANDA O CANGAÇO e mais algumas relíquias.
     O que mais me chamou a atenção do material de dona Eulina foi o acervo fotográfico onde mostrava vários momentos do “Cine Volante”. Em uma das fotos vemos uma Belina branca com três cornetas difusoras e um letreiro colocado em uma base no bagageiro que dizia: CINE VOLANTE APRESENTA TARZAN. Logo abaixo, na lateral do carro, outra propaganda escrita dizia: CINEMA AINDA É A MELHOR DIVERSÃO.
     O mesmo sistema foi montado por Zé do Cinema também em uma Rural e depois em uma caminhonete Toyota.
      Esses homens escreveram uma página na história do cinema de Paulo Afonso, aqueles tempos áureos quando a Sétima Arte era uma diversão encantadora, Paulo Afonso foi agraciada por diversas películas que emocionavam e alegravam, hoje, quando os tempos mudaram, a cidade fechou suas salas de projeções, transformando em prédios comerciais e igrejas. Em outros lugares, o cinema continua emocionando, trazendo lágrimas e alegrias. Aqui nos contentamos com os depoimentos saudosos dos homens que operaram as máquinas e causaram a alegria de multidões...


João de Sousa Lima
Historiador e Escritor

Paulo Afonso, 25 de março de 2014.

Reportagem para o Jornal Folha Nordestina - Antonio Galdino.

Zé do Cinema-

cine coliseu- acervo de João de Sousa Lima