sexta-feira, 8 de junho de 2018

MULHERES NO CANGAÇO : 80 ANOS DA MORTE DE MARIA BONITA E LAMPIÃO - www.joaodesousalima.blogspot.com

















                                                                               
                                                                                  Há caminhos que são descaminhos
Bárbaros trajetos com sabor de aço
Histórias escritas em pergaminhos
Capítulos eternizados no cangaço

(João de Sousa Lima)

   Amanhecer do dia 28 de julho de 1938, manhã nublada e fria. No coito da Grota do Angico, alguns cangaceiros dormiam e outros agiam na lentidão da fadiga e envolvidos pela friagem da neblina gerada pelo mês chuvoso.
Os policiais volantes comandados pelo tenente João Bezerra e seus imediatos, o aspirante Francisco Ferreira de Mello e o sargento Aniceto Rodrigues armavam o cerco final ao Lampião e Maria Bonita, Rainha do Cangaço e mais alguns companheiros que também tombaram naquela manhã, em um total de 11 cangaceiros. No confronto a polícia sofreu uma só baixa, perecendo o irmão de armas, o soldado Adrião Pedro de Souza.
Doze pessoas totalizaram as mortes daquele dia e que por tantos anos se busca subsídios para análises e entendimentos dos fatos que permanecem cercados de tantos mistérios.
Era o fim de uma página da história do banditismo rural Nordestino. Era o fim do cangaceiro de maior destaque dentro deste contexto histórico. Era o fim de um capítulo onde a mulher teve grande referência enquanto estilo de vida diferenciada das vidas de tantas sertanejas que viviam nas escondidas veredas dos sopés de serras das caatingas bravias.
    Pode-se dizer que Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, Rainha do Cangaço, rompeu parâmetros na sociedade e se fez diferente. Dentre tantas mulheres Lampião escolheu uma baiana da Malhada da Caiçara, povoado pertencente a Santo Antônio da Glória do Curral dos Bois e que desde 28 de julho de 1958, pertence a Paulo Afonso.
Maria Bonita foi eternizada por tantos artistas populares do Brasil e uma dessas referências artísticas foi através da arte do poeta repentista Otacílio Batista como “A Morena da Terra do Condor”, em música gravada por Amelinha e também Zé Ramalho, em alusão aos poemas do conterrâneo poeta baiano Castro Alves, o Poeta dos Escravos, que inseria suas poesias em defesa da diferenças sociais, seguindo a corrente literária do “Condoreirismo”, que defendia os direitos dos oprimidos. Poema marcante dessa linha quando escreveu “Espumas Flutuantes”. Outra vertente que ele seguiu foi a do Romantismo-Lírico-Amoroso, também defendendo em versos os direitos do Povo:
  
     O cangaço enquanto fenômeno social ganhou ênfase através dos diversos artistas populares que divulgavam as infinitas peripécias vividas nesse período.
A expansão dos fatos se deu através das cantorias dos repentistas, dos folhetos dos cordelistas, dos xilogravuristas, músicos, grupos de danças, artistas circenses e outros segmentos.
Foram formas distintas de propagação dos fatos históricos e esse alastramento aconteceu justamente onde a concentração do povo era mais frequente: nas diversas feiras, latadas, circos e ruas.
A mídia mais simples se encarregou de colocar no imaginário popular as façanhas vividas no cangaço, episódios decorridos nas mais ermas matarias catingueiras, transformando e mitificando os grupos e subgrupos de cangaceiros, principalmente as mulheres que a esse mundo diferenciado se lançaram, muitas delas, quase inocentes meninas, para viverem tantas e perigosas aventuras, à margem da lei.
Maria Gomes de Oliveira, a Maria de Déa, em referência ao apelido de sua mãe, Dona Déa, de nome batismal Maria Joaquina Conceição Oliveira, foi sem sombras de dúvidas, por ser a companheira do chefe supremo do cangaço, o famoso Lampião, a mais famosa mulher cangaceira. No cangaço ela foi a Maria do Capitão ou a dona Maria. Ficou imortalizada como Maria Bonita, apelido esse oriundo dos versos cantados e rimados pelos policiais volantes, que vivam nas inacabáveis persigas das diferentes veredas com seus combates ferrenhos e quase diários.
Maria Bonita foi a mais expressiva cangaceira. Tivemos outras de renome como no caso de Dadá de Corisco, Lídia de Zé Baiano, Nenê de Luis Pedro, Inacinha de Gato, Durvinha de Virgínio e Moreno, Mariquinha de Ângelo Roque, Catarina de Nevoeiro, Aristéia de Catingueira, Otília de Mariano, Maria de Pancada, Dulce de Criança, Moça de Cirilo de Engrácia.
Várias outras mulheres passaram por esse mundo tão conturbado e de futuro duvidoso. Muitas delas perderam suas vidas nos combates, outras foram assassinadas por seus próprios companheiros. Sofreram perseguições, foram baleadas, feridas, humilhadas, mal amadas, maltratadas. Outras viveram seus amores, tiveram filhos, foram mães sem o direito de ser mãe no sentido mais figurado e sublime da palavra mãe. Dentre todas as dores das mulheres a maior foi ser mãe e não exercer a função de cuidar de sua prole, não poder zelar de seus pequenos, ver secar no seio o leite materno destinado a alimentar seus inocentes.
À mulher ficou resguardado somente o direito de seguir seus homens, seus grupos, fugindo das duradouras perseguições dos rastejadores contratados dos grupos policiais. No dizer sertanejo: “Uma vida sem futuro”.
Mas as mulheres não puderam fugir a esse capitulo da nossa historiografia sertaneja, se bem que levou tempo para acontecer a entrada feminina nessa conjuntura.
Perguntamo-nos às vezes o que levou as mulheres a encarar uma forma de vida tão violenta e longe das perspectivas geradas pelas famílias com seus conceitos, educação traçada dentro das normas rígidas das religiões e das tradições de um Nordeste desassistido.
Algumas me confidenciaram que seguiram esse caminho por amor, umas poucas segredaram que foram forçadas, por motivos diferentes, uma só falou que foi porque achou bonito o “TRAJAR” dos cangaceiros, se embelezou pela profusão de cores nos bordados e a grande quantidade do metal nobre amarelado, correntes, anéis, alianças, moedas e brincos de ouro.
Dentre todas elas, sem exceções, em seus depoimentos, a pior coisa foi não poder cuidar dos filhos. Suas crianças eram todas deixadas aos cuidados dos padres, coronéis, coiteiros e amigos.
As Mulheres viveram no cangaço uma aventura sem precedentes e deixaram seus nomes registrados na página da história dos levantes do Nordeste do Brasil.
Foi Maria Gomes de Oliveira, a famosa cangaceira Maria Bonita, morena nascida no povoado Malhada da Caiçara, terras na época do cangaço pertencentes a Santo Antônio da Glória e hoje à Paulo Afonso, a mulher mais referenciada no contexto histórico do mundo feminino cangaceiro.
A data de nascimento de Maria Bonita se divide entre 1910 e 1911, registrado por vários pesquisadores em tantos livros, pondo em dúvida também o dia 08 de março. A verdade é que ela encontrou a morte ainda muito jovem, morrendo na trágica manhã do dia 28 de julho de 1938, na Grota do Angico, em Poço Redondo, Sergipe, com sua idade variando entre 27 ou 28 anos de vida.
Quantas e tantas mulheres viveram esse capitulo para, inocentemente, escreverem suas próprias histórias. Histórias de amores roubados e permitidos, histórias de lutas e fugas, de tiros e mortes, de caminhadas incessantes e dormidas incertas, de filhos gerados na rispidez das matas pontiagudas e ferinas. Histórias de servidão e desilusão.
Muitas delas adentraram no movimento, no esplendor de suas inocências de meninas-moças, trajando as vestes das “Mulheres das Caatingas”, levadas, talvez, pela ilusão de uma vida melhorou no mínimo, uma vida diferenciada das que vivam nos sopés das serras de suas moradas.
Ao período destinou-se o estigma de andarilhos errantes, acobertados apenas pela razão de suas decisões individuais. Sem entendimento adequado do andar “À MARGEM DA LEI”. Donas de seus mundos imaginários, pequenos e próprios.
A mulher cangaceira marcou seu tempo, escreveu sua história, traçou seu perfil de mulher obstinada e diferenciada das mulheres de sua época. Todas elas deixaram por insignificante que possa parecer, seus rastros marcados eternamente nas infindas veredas circundadas de pedras e espinhos do Sertão Nordestino.
À frente de seu tempo, a mulher cangaceira deixou vestígios no registro da história do Brasil.
Tempo presente, agora em 2018, marca 80 anos da Morte de Lampião e Maria Bonita, tantas e quantas análises surgiram sobre o fatídico dia 28 de julho de 1938, inúmeros registros, apreciações diversas, umas abalizadas e outras desprovidas dos critérios sérios que a história merece.
Nas fendas pedregosas da Grota do Angico, fato certo, que a morte lacerou doze corpos, onze cangaceiros e um soldado encontraram seu dia final. Entre os cadáveres duas mulheres, duas almas femininas adornando o quadro funesto dos últimos momentos do Rei do Cangaço.
Entorpecida, a Grota do Angico perpetua seus mistérios e um grito feminino paira no ar, como último refúgio de dor, na etapa final do cangaço...

João de Sousa Lima
Paulo Afonso 06 de junho de 2018
Membro da ALPA – Academia de Letras de Paulo Afonso - Cadeira 06.
Membro da SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço.
Membro do GECC – Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará
Membro do IGH – Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso
Membro do Instituto Geográfico e Histórico do Pajeú.




quarta-feira, 23 de maio de 2018

PAULO AFONSO ANTIGAMENTE: PARA CONHECER A HISTÓRIA LEIA O LIVRO PAULO AFONSO E A VILA POTY


 Paulo Afonso e sua recente história.
para saber um pouco mais leia: PAULO AFONSO E A VILA POTY: A HISTÓRIA NÃO CONTADA, de autoria de joão de Sousa Lima.
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direto com o autor> 75-988074138 ou joao.sousalima@bol.com.br


segunda-feira, 14 de maio de 2018

NAS TRILHAS DO CANGAÇO EM PAULO AFONSO - AS HISTÓRIAS REVISITADAS


Eu, Sandro Lee, Ricardo Cajá e Nilton Negrito, estivemos seguindo alguns roteiros do cangaço em Paulo Afonso.
as reportagens realizadas serão transformadas em um documentário que será lançado em breve.
no momento estivemos na Casa da Cangaceira Lídia de Zé baiano, no povoado salgadinho. depois seguimos para colocar uma cruz no local do assassinato do coiteiro Antonio Curvina e encerramos em campos Novos, visitando o local do sepultamento do primeiro filho de Lampião e Maria Bonita.

















terça-feira, 8 de maio de 2018

PONTE DOM PEDRO II - A PONTE "METÁLICA" DE PAULO AFONSO - www.joaodesousalima.blogspot.com



     A Ponte Dom Pedro II, que divide Delmiro Gouveia, Alagoas e Paulo Afonso na Bahia é uma das mais belas pontes do mundo pela grandeza do cânion que fica embaixo.
a sua verdadeira história de sua construção você encontra no livro: PAULO AFONSO E A VILA POTY., A HISTÓRIA NÃO CONTADA.
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João de Sousa Lima, (75)-988074138
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CASA DA CULTURA

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Academia de Letras de Paulo Afonso empossa novos Membros e homenageia a Chesf e as mulheres da ALPA

Academia de Letras de Paulo Afonso empossa novos Membros e homenageia a Chesf e as mulheres da ALPA
Nesta sexta-feira, dia 13, às 19 horas, no Memorial Chesf
Antônio Galdino
Academia de Letras de Paulo Afonso empossa novos Membros e homenageia a Chesf e as mulheres da ALPA

Nesta sexta-feira, dia 13, às 19 horas, no Memorial Chesf
Academia de Letras de Paulo Afonso
 Fundada em 4 de novembro de 2005, a Academia de Letras de Paulo Afonso reúne entre seus membros, escritores, pesquisadores, historiadores, compositores, poetas e produtores culturais de Paulo Afonso.
Entre seus membros há os sócios fundadores, efetivos, que são intelectuais e literatos moradores de Paulo Afonso e os sócios ou membros correspondentes que são, como os demais membros, pauloafonsinos ou moraram um longo tempo no município e agora moram em outras cidades, estados ou países e continuam produzindo literatura e interagindo com suas origens, neste município.
O acesso à Academia, ALPA, é feito a partir de rigoroso critério e a aprovação da maioria dos seus membros para o preenchimento de vagas em seu quadro que, em todas as categorias é de 40 membros.
A ALPA foi presidida até setembro de 2017 pelo professor Francisco Araújo Filho quando foi eleita, no dia 14 daquele mês, a sua nova diretoria que tem como presidente o professor e escritor Antônio Galdino da Silva. Além dele, formam a atual diretoria, eleita para o biênio 2017/2019, os seguintes escritores: historiador João de Souza Lima (vice-presidente), professora Maria do Socorro Araújo do Nascimento (secretária geral), professora e bacharel em Direito Jovelina Maria Ramalho da Silva (2ª secretária), professor/doutor Sandro José Gomes (tesoureiro) e Francisco Araújo Filho (2º tesoureiro).
 Esta diretoria, desde a sua eleição tem promovido ações de revitalização da ALPA, inclusive com o preenchimento de vagas no seu quadro de membros.
No dia 14 de Dezembro de 2017 vários novos membros foram incorporados ao quadro da ALPA, cumpridas as exigências definidas pelo Estatuto da instituição. Nessa data, alguns dos novos sócios da ALPA, Membros Correspondentes, estavam em viagem, alguns para o exterior como Edson Mendes (que estava em um intercâmbio na França e em Portugal) e Edvaldo Nascimento (que fazia atividades do seu Doutorado, em Portugal) e não puderam comparecer ao ato de posse.
Neste dia 13 de Abril, às 19 horas, no Memorial Chesf Paulo Afonso, estarão sendo empossados:
Edson Mendes de Araújo Lima (morando no Recife/PE), Edvaldo Francisco Nascimento (morando em Delmiro Gouveia/AL), Jaime Jackson Gomes Freire (morando em Santos/SP), Luiz Ruben Alcântara Bonfim (morando no Recife/PE) e Murilo Geraldo de Siqueira Brito (morando no Recife/PE).
Além da posse dos novos membros da ALPA, a Academia estará também prestando uma homenagem às mulheres acadêmicas e será realizada uma palestra, pelo professor Antônio Galdino, em homenagem à Chesf pelos seus 70 anos de atividades promovendo o desenvolvimento do Nordeste.
 Haverá também o lançamento de livros e cordel de autores membros da ALPA, como:
O Messianismo de Pedro Batista e a Cultura popular em movimento, de Alcilvandes Santana;
Depressão, a dor que eu desconhecia, de Jaime Jackson,
Um homem à sombra do seu destino, de Marcos Antônio Lima
Cordel de Paulo Afonso, de Murilo Brito
Alcilvandes Santana e Murilo Brito, também artistas plásticos, estarão expondo alguns dos seus quadros no Salão de Exposições do Memorial Chesf.
O evento contará com a participação musical do violonista, Rafael di Oliveira, professor do Departamento de Cultura de Paulo Afonso e do Coral Chesf de Paulo Afonso.
O evento é aberto para todos.