segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Tropeiros da Borborema: Tradução precisa da aventura almocreve pelas veredas da terra do sol

Tropeiros da Borborema: Tradução precisa da aventura almocreve pelas veredas da terra do sol

(*) José Romero Araújo Cardoso

          Raimundo Yasbek Asfora e Rosil Cavalcanti uniram-se para escrever a letra de uma das mais belas canções em língua portuguesa, a qual homenageia a segunda cidade do Estado da Paraíba.
          Nenhum dos autores de “Tropeiros da Borborema” era Campinense de nascimento. Asfora, nascido em 1930 e falecido tragicamente em 1987, era cearense de Fortaleza, descendente do grupo árabe que aportou na terra de Iracema fugindo da convocação forçada pelos ingleses na primeira guerra mundial, enquanto Rosil, cujas músicas antológicas Jackson do Pandeiro, que formou a dupla “Café com Leite” com o grande gênio da música regional nordestina, gravou e imortalizou-as, como “Cabo Tenório”, “Lei da Compensação”, “Quadro Negro” e o clássico “Sebastiana”, entre inúmeras outras, era pernambucano, nascido em Macaparana, no dia 20 de dezembro de 1915. Rosil faleceu em Campina Grande, na fria noite de 10 de julho de 1968.
          A importância dos tropeiros para a história social e econômica da antiga Vila Nova da rainha foi tão impressionante que não há como dissociar a dinâmica cidade com a presença dos antigos agentes econômicos que vinham do brejo, do agreste, do curimataú, do sertão, etc., bem como de Estados vizinhos, como o Rio Grande do Norte e o Ceará, carregados com seus fardos de pele e de algodão, em direção a Goiana e Olinda, no Estado de Pernambuco, importantes empórios comerciais no século XIX.
          Campina Grande começou a evoluir quando foi observado que boa parte da produção transportada pelos velhos tropeiros poderia ficar em solo paraibano. O investimento em máquina de beneficiar algodão foi de importância basilar para o desenvolvimento local, pois isto permitiu que a cidade se transformasse em grande exportadora do “ouro branco”, o que significou um dos momentos cruciais do “boom” econômico da “Rainha da Borborema”.
          A chegada da máquina número 3, da Great Western, no dia dois de outubro de 1907, representou também as condições para que o progresso fosse implementado a partir de então, pois era a garantia da facilidade para o escoamento da produção algodoeira.
          Para vencer os obstáculos representados pelo Planalto da Borborema, conduzindo tropas de burros, precisava ser muito corajoso. Conforme a professora Inês Caminha Lopes Rodrigues, em “Revolta de Princesa: Contribuição ao Estudo do Mandonismo Local”, a barreira orográfica era um grande empecilho para o escoamento da produção sertaneja, o que justifica em parte as decisões dos produtores da região polarizada por princesa de buscar na época as praças pernambucanas a fim de implementar os negócios.
           Os tropeiros da Borborema sintetizaram a coragem inaudita do povo interiorano em vencer barreira, razão pela qual a imortalidade suscitada na eterna composição de Asfora e Cavalcanti tem a característica de ser oportuna e pioneira na homenagem aos grandes seres humanos que hoje estão representados em monumento em Campina Grande.
          A belíssima canção reconhece em seus refrães finais que Campina Grande somente tem a sua grandeza devido à presença dos antigos tropeiros que buscavam pousadas quando demandavam a Pernambuco em tempos idos, mas que as brumas do tempo não conseguem apagar, graças, em muito, à genialidade de dois fenômenos extraordinários que foram beneficiados pela voz e pelo talento de outro gênio chamado Luiz Gonzaga do Nascimento, responsável pela impecável voz para a eternidade da música, pois quando o eterno “Rei do Baião” interpretou “Tropeiros da Borborema”, gravada em 1972, lançou imediatamente as bases da imortalidade desta magistral poesia nordestina surgida nas paragens da antiga Vila Nova da Rainha.  
          O acúmulo de capitais a partir das bases lançadas com os tropeiros da Borborema foi sendo responsável pela contínua evolução de Campina Grande, a ponto hoje de ser conhecida como “O Vale do Silício Brasileiro”, devido à presença de várias empresas que desenvolvem tecnologia de ponta, havendo ênfase ainda aos estudos e experiências que resultaram nas impressionantes fibras do algodão colorido, que são orgulhos da cidade de Campina Grande e motivos que a tornaram conhecida internacionalmente como pólo dinâmico e criativo de um nordeste que precisa e pode crescer em ritmo cada vez mais intenso.

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Contatos: romero.cardoso@gmail.com. (MSN) romeroc6@hotmail.com.

sábado, 15 de outubro de 2011

ENTREVISTA COM O ESCRITOR JOÃO DE SOUSA LIMA, DE PAULO AFONSO - BA


ENTREVISTA COM O ESCRITOR JOÃO DE SOUSA LIMA, DE PAULO AFONSO - BA



Cajazeiras-PB, Sábado, 15 de Outubro de 2011





Entrevista  prestada por João de Sousa Lima ao escritor, advogado e jornalista Francisco Alves Cardoso.

www.portalcaldeiraopolitico.net




ENTREVISTA COM O ESCRITOR JOÃO DE SOUSA LIMA, DE PAULO AFONSO - BA
CP – O que representa Luiz Gonzaga para você?
JSL – Luiz Gonzaga é nossa maior expressão artística nordestina, foi um talento sem comparações e um homem de um coração grandioso, era capaz de realizar shows em troca de alimentação para levar para seu povo, isso é de uma generosidade sem tamanho. Luiz Gonzaga é a síntese de tudo de bom que representa o Sertão, o Agreste e o Cariri no contexto  artistico-histórico-cultural. Sua música é elemento de inclusão social de uma gente que viveu por muito tempo carecendo de uma assistência direta das políticas públicas e não era ouvida.
CP – Quando e como começou a sua admiração por Luiz Gonzaga?
JSL – Meu pai era um homem duro, alheio às novidades tecnológicas e sociais que iam aparecendo, era um homem ligado ao seu tempo, fincado seus pensamentos na criação Rural. Uma vez ele ouvindo Luiz Gonzaga ele me confidenciou: Eu gosto dele e essa "CANÇÂO" é a mais bonita (Riacho do Navio), ela me lembra o Rio Pajeú, onde eu me banhava quando ele "SANGRAVA".
Convivi com essas lembranças e tempos depois  tive a oportunidade de assistir Luiz Gonzaga cantando em Paulo Afonso por três vezes e em uma dessas vezes lá estava meu pai. Nunca mais deixei de admirar, de gostar, de ser fã do Rei do Baião.
CP – De todas as músicas do Rei do Baião, qual a da sua predileção?
JSL – A letra I, Asa Branca, Paulo Afonso, Serrote Agudo,  ah... de todas, principalmente de Riacho do Navio, pela lembrança que trago de meu pai.
CP – Conheceu Luiz Gonzaga pessoalmente?
JSL – Assisti três shows dele em Paulo Afonso. Em 1988 o então presidente da CHESF, José Carlos Aleluia, o trouxe para fazer uma homenagem  pelo carinho que ele dedicava a nossa cidade. Ele aqui recebeu título de cidadão pauloafonsino. Nesse dia ele cantou no CPA- Clube Paulo Afonso e pude ter a honra de apertar sua mão, pena que não atentei para uma fotografia ou um autografo, na minha condição de admirador imaginava que ele seria eterno na terra, porém ele só é eterno na nossa lembrança e na  perpetuação de sua magnífica obra.
CP – Paulo Afonso foi uma das cidades que ele dedicou música,  existem muitos fãs de Luiz Gonzaga?
JSL – Inúmeros fãs, centenas de pessoas passaram por uma mostra que eu realizei sobre ele e as pessoas sempre falavam que gostava de Luiz Gonzaga, nos temos aqui um programa de rádio dedicado só ao Rei do Baião, o programa é realizado pelo advogado Dantas.
CP – Mudando de assunto, fale do histórico da sua cidade, Paulo Afonso - BA.
JSL – Paulo Afonso é uma belíssima cidade que apareceu para o cenário nacional a partir da década de 40 com as construções das usinas de transmissão de energia elétrica, construídas pela CHESF. É uma cidade com encantadores   pontos turísticos, belezas naturais de um patrimônio brasileiro. Em 1913 o cearense Delmiro Gouveia construiu aqui a primeira Usina Hidroelétrica do Nordeste e a segunda do Brasil, com ela movimentou sua fabrica de linhas estrela, na cidade de Pedra, hoje Delmiro Gouveia, em homenagem a seu criador. A Usina funcionou até 1969 e permanece com Museu resguardando a memória de uma das mentes mais brilhantes do Brasil.
CP – Qual a sua apreciação sobre o governo Dilma Roussef?
JSL – Preferia Lula.
CP – E o Governo Jacques Vagner, como está na Bahia?
JSL – Carecendo de mais políticas públicas para as cidades do interior.
CP – Qual a sua opinião sobre o ex-governador Antonio Carlos Magalhães?
JSL – Deixou seu nome na história política da Bahia e foi reconhecido no contexto político brasileiro.
CP – Fale um pouco sobre a mitologia do Rio São Francisco.
JSL – O Rio Da Unidade Nacional, o majestoso Rio milenar que tantos benefícios trouxe  para os Ribeirinhos, pescadores, Nativos e barqueiros. O Rio é algo sagrado para esse povo, com o  progresso vem sofrendo com o represamento, seu barramento trouxe várias questões ambientais com é notório a observação pela falta de peixes nativos, as cidades submersas, o asseoramento, a transposição, a falta de água corrente. São vários os fatores que acarretam na morte silenciosa do Rio, seria preciso uma urgente avaliação, uma comissão deveria ficar encarregada de realizar esses estudos para se chegar a uma conclusão antes de qualquer  trabalho realizado no Rio que mexe com suas estruturas primordiais.
CP – Por fim, a biografia de João de Sousa Lima.
BIOGRAFIA
João de Sousa Lima nasceu em São José do Egito, Pernambuco. Chegou a Paulo Afonso com poucos anos de nascido e tornou-se filho adotivo das doces e amáveis terras baianas.
É filho de Raimundo José de Lima e Rosália de Sousa Lima. Tem três irmãos: José de Sousa Lima, Manuel José de Lima e Maria Bernadete Lima Santos. Casado com Joselma da Silva Sousa Lima, dessa união brotaram duas princesas: Stéfany da Silva Sousa Lima e Letícia Sousa Lima.
Ganhou notoriedade no meio artístico através dos elogiados livros: Lampião em Paulo Afonso, A Trajetória Guerreira de Maria Bonita, a Rainha do Cangaço e Moreno e Durvinha, Sangue, Amor e Fuga no Cangaço. Três magníficas e plausíveis obras frutos de um excelente trabalho de pesquisa histórica.
Participou como co-autor dos livros: Ecologias de Homens e Mulheres do Semiárido (UNEB – Campus VIII – 2005); Ecologias do São Francisco (UNEB-Campus VIII / Agendha – 2006); As Caatingas: Debates sobre a Ecorregião do Raso da Catarina (Governo da Bahia / UNEB – Campus VIII – 2007); Na Mala do Poeta (Antologia Poética - 2009).
É autor da Cartilha Fotográfica sobre a restauração da Casa de Maria Bonita e criador do projeto que transformou essa casa em Memorial.
É o criador do NEC – Núcleo Experimental de Cinema de Paulo Afonso onde vem produzindo alguns vídeos-documentários.
Ministra palestras em faculdades, universidades, seminários e encontros voltados para a educação e a cultura popular nordestina.
A poesia é uma de suas paixões, fazendo emergir nos versos o que há de mais sublime na alma, fazendo revelar no Eu Poético toda a magia que doces palavras podem fazer: refletir e inspirar leitores.
É Imortal da ALPA – Academia de Letras de Paulo Afonso (ocupa a cadeira número 06). Sócio permanente da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço. Membro e Secretário da UNEHS – União Nacional de Estudos Históricos e Sociais. Membro fundador do IGH – MSPA – Instituto Geográfico e Histórico da Microrregião do Sertão de Paulo Afonso. Membro do CECA/NECTAS – Centro de Estudos da Memória do Cangaço – UNEB CAMPUS VIII.
Como profissional é elogiado em suas diversas atividades realizadas. Afirma sempre que seus trabalhos literários deram novo sentido à vida, deixando para a posteridade um legado de fiéis informações históricas, contribuindo com uma infindável legião de leitores e estudiosos dos temas relacionados ao sertão nordestino.
João de Sousa Lima

Paulo Afonso: As Imagens Aéreas de Um Oásis No Sertão.

 Vista do Espaço Cultural Raso da Catarina.
 Paulo Afonso: Uma das cidades mais arborizadas do Mundo.
de novembro a dezembro as caraibeiras de flores amarelas forram o chão da cidade e embelezam ainda mais suas paisagens verdes.

avenida Landulfo Alves, vendo-se ao fundo o Hotel San Marino.
o começo da famosa Rua Da Frente, vendo-se em primeiro plano a caixa dágua construida pela CHESF e o pop shop
a saida da cidade na direção do bairro BTN- Bairro Tancredo Neves.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Luiz Gonzaga


Luiz Gonzaga: Nunca Haverá Outro Igual a Ele.

Com sua voz inconfundível, seu toque no fole diferenciado
seu sorriso marcante e constante, sua brasilidade, sua nordestinidade, seu compromisso com o sertão, sua preocupação com seu povo, seu longo caminho trilhado, sua  fidelidade às suas raízes são características que o diferenciaram de outros artistas.
Vencer no sul assumindo um chapeu de cangaceiro e um jibão de vagueiro, além de uma grande ousadia  e de uma representação de amor para com o povo esquecido das caatingas, só por esses atributos, Luiz Gonzaga já mereceria o carinho, respeito e admiração de todo brasileiro.
Ele foi sem dúvidas nosso maior expoente na divulgação de nossa arte e cultura, ele foi doutor diplomado com a mais pura sabedoria adquirida e disseminada através do aboio do vagueiro, com as rimas estruturadas dos violeiros repentistas, com o trato do gado, com o plantio e a colheita da roça, com a seca e a fartura, com as cacimbas sangrando e também rachadas pela falta dágua, com o sol inclemente e a trovoada esporádica. Por tudo quer ele representou para o povo sertanejo ele merece nosso título de "EMBAIXADOR DO SERTÃO".
Luiz Gonzaga foi um pouco de tudo de bom, cada parcela de nossos diverss seguimentos culturais e por tudo isso, nunca, mais nunca mesmo, haverá outro igual a ele.





Um sorriso contagiante e constante e um chapéu que representou o povo Nordestino
 o trato com a terra  e o gado
 os prêmios e as homenagens merecidas
um nome que não morrerá jamais
o povo consagrou sua trajetória como parte de uma cultura que será eterna.
os artistas elevam seu nome e divulgam sua arte, eternizando sua capacidade e seu talento.

Paulo Afonso

 PAULO AFONSO: Suas Belezas e Encantos.

A Encantadora Cachoeira de Paulo Afonso, que mereceu poesia de Castro Alves, desenhos de artistas famosos e visitas de pessoas ilustres como no caso de Dom Pedro II é uma das mais bonitas paisagens do mundo.
Paulo Afonso é cercada por belezas naturais que deixa a todos  extasiados.
 a cachoeira de Paulo Afonso em sua vazão natural.
 a vegetação inconfundível da vasta caatinga
 Serra do Umbuzeiro o ponto mais alto de Paulo Afonso e foi cenário da novela Cordel Encantado, da Rede Globo de Televisão.
o Museu Casa de Maria Bonita, a preservação de nossa  história e de nosso patrimônio cultural

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Os Últimos Cangaceiros.


Os Cangaceiros Moreno e Durvinha estão eternizados pelas lentes do cineasta Cearense Wolney Oliveira, através do longa-metragem: Os Últimos Cangaceiros.
o filme foi lançado durante o Cine Ceará de 2011 onde foi bem aplaudido e comentado. No momento a película roda o Brasil participando e concorrendo  vários festivais de cinema.
o trabalho teve a assessoria dos escritores João de Sousa Lima e Antonio Amaury.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Escritores Reunidos no III Cariri Cangaço

uma das partes mais gratificantes do Cariri Cangaço, sem sombras de dúvidas é o encontro dos pesquisadores dos diversos seguimentos da historiografia nordestina e brasileira, essa coonfraternização serve para se conhecer novos trabalhos literários, discutir sbre dúvidas e descobertas, além de expor pesquisas em andamento.
na fotografia um raro momento onde quase todos os pesquisadores e escritores se uniram para uma fotografia: