Dentre minha coleção de em torno de 3.000 cordéis existem algumas relíquias.
Um dos mais raros cordéis do cangaço, falando sobre o encontro de Pedro Félix e Lampião, foi confeccionado em Paulo Afonso pelo artista Murilo Brito.
Pedro Félix foi considerado o maior mentiroso da cidade e quando Murilo fez o cordel, a familia de Pêdo Feli (como era conhecido por todos) entrou na justiça e o cordel foi proibido de ser lançado.
em recente encontro com Murilo Brito perguntei se ele ainda teria algum exemplar do "DITO" cordel e pra minha surpresa ele disse que ainda tinha dois exemplares e um deles iria me mandar para compor meu acervo. Eis que o cordel foi entregue em minha sala e pude conhecer um pouco mais das histórias fantasiosas dessa figura folclórica pauloafonsina que foi Pedro Félix.
em um próximo trabalho meu sobre as histórias da Vila Poty e Paulo Afonso, sairá um capitulo onde cita as "ESTREPOLIAS" de Pedro.
Outro cordel Raro e antigo sobre o cangaço vem da criação de um dos maiores cordelistas brasileiro, o famoso Rodolfo Coelho Cavalcanti.
O cordel fala sobre Maria Bonita, Lampião e seus cangaceiros.
UM POUCO SOBFRE QUEM FOI RODOLFO COELHO CAVALCANTI:
Rodolfo
Coelho Cavalcanti nasceu em Rio Largo (AL) em 1919. Entretanto, consta do
registro de nascimento a data de 1917. Filho de Arthur de Holanda Cavalcante e
Maria Coelho Cavalcante, foi criado pelos avós maternos até os oito anos,
quando retornou à casa dos pais. As constantes mudanças entre Maceió e Rio
Largo o obrigaram a trabalhar para ajudar no sustento familiar.
Adolescente,
percorreu parte do Norte e Nordeste, atuando como camelô, palhaço de circo,
dentre outras atividades. Desde essa fase, já se fez notar como bom versejador,
participando de pastoris, cheganças e reisados.
Rodolfo
Coelho Cavalcanti, poeta popular nordestino e escritor de cordel, é considerado
um intelectual da poesia popular e um dos nomes mais conhecidos nesse ramo.
Nasceu em Rio Largo, Alagoas, em 12 de março de 1919, filho de Arthur de
Holanda Cavalcanti, operário da indústria têxtil, e de Maria Coelho Cavalcanti,
mais tarde também operaria de fábrica.
Foi
criado pelos avós maternos, Florisbela e Antonio Coelho Cavalcanti, e aprendeu
a ler com sua avó “Belinha”, que tinha uma escola de alfabetização. Com seu avô
“Coelho”, aprendeu a recitar poemas, alguns até considerados obscenos para a
época. Os parentes, vizinhos e amigos se deleitavam ao ver o pequeno Rodolfo
declamar com desenvoltura.
Aos oito
anos, voltou a morar com seus pais, quando estes se mudaram para Maceió, onde
seu genitor foi trabalhar em uma fabrica de sabão. Foi nessa ocasião que
Rodolfo começou a frequentar a escola e também a trabalhar juntamente com seu
irmão Aristóteles, carregando latas d’água para abastecer a casa.
Desempregado,
Arthur Cavalcanti voltou com a família para Rio Largo, onde foi trabalhar
novamente na indústria têxtil. Rodolfo, então, começou a prestar pequenos
serviços para ajudar no orçamento familiar. Em decorrência do trabalho precoce,
só estudou até a terceira série do hoje chamado ensino fundamental. Entretanto,
logo cedo revelou grande talento para a poesia. Criava versos com facilidade,
tendo sido escolhido entre os alunos de sua escola para saudar com um verso de
sua autoria o tenente Juarez Távora, por ocasião de sua passagem em Rio
Largo, depois da vitória da Revolução de 1930:
Salve
Juarez Távora, / O militar glorioso,
Estrela
do nosso exército, / Que será vitorioso
Marchando
para o porvir, / Vibrando consciencioso.
A família
de Rodolfo voltou a morar em Maceió, onde ele conseguiu um emprego fixo nas
Lojas Paulistas. Como sua função era atrair os fregueses, ele inventava versos
adaptando letras de músicas conhecidas para cantar em frente da loja. O que
ganhava por esse trabalho era entregue a mãe. Porém, a imprensa de Maceió
denunciou o que hoje chamamos de “exploração do trabalho infantil”, e por esse
motivo Rodolfo perdeu o emprego.
Em
seguida, foi trabalhar na empresa Western Cable Telegraph Company. Para
conseguir esse emprego, Rodolfo foi registrado (até então ele não tinha
registro de nascimento) como tendo nascido em 1917, quando, na verdade, nascera
em 1919. Quando foi despedido, não teve coragem de dizer para sua mãe. Fugiu de
casa a pé com destino ao Recife, seguindo a linha férrea. No capital
pernambucana, fez vários biscates (serviços eventuais) até conseguir uma quantia
razoável e retornar para casa em 1932.
Em 1934,
saiu de casa novamente. Na luta pelo pão de cada dia e usando sua habilidade
nata de comunicador, Rodolfo vendeu até pedra tipo seixo, convencendo os
fregueses de que elas tinham poder de cura. Foi vendedor de remédios
falsificados e professor primário (ensino fundamental) concursado em
Luzilândia, Piauí, até 1938. Com saudades da família, decidiu voltar para casa.
Antes, comprou na Paraíba um lote de folhetos de João Martins de Athayde, iniciando a sua carreira
de vendedor de cordel. Foi preso enquanto vendia os folhetos, pois na época os
poetas populares eram perseguidos pelas autoridades.
Interessado
pelos folhetos de cordel, escreveu o seu primeiro quando estava de passagem por
Fortaleza, contando a tragédia de um afogamento na praia de Iracema. O cordel
fez sucesso e em poucos dias vendeu cerca de três mil exemplares. Ainda durante
o trajeto de volta para casa, se aventurou como palhaço de circo. Antes de um
espetáculo, recebeu um telegrama dando a notícia, com três meses de atraso, da
morte de seu pai, que ocorrera em janeiro de 1939.
Finalmente,
chegou em casa, mas não demorou muito tempo e logo retomou as andanças. Em
Conceição do Canindé, no Piauí, apaixonou-se por Hilda, com quem se casou em
1939. Em 1942, Rodolfo se estabeleceu na capital, Teresina, onde começou sua
carreira de cordelista com o folheto Os clamores dos incêndios em Teresina,
um sucesso de vendas, e escreveu mais outros 34 folhetos. Entusiasmado,
instalou um ponto para venda de folhetos e miudezas. Contudo, por problemas na
administração do pequeno comércio, teve prejuízo. Chateado, mudou-se, em 1945,
para a cidade de Salvador, Bahia.
Salvador
era considerado um bom mercado para a literatura de cordel e, aproveitando o
momento político, escreveu e publicou, dois dias depois da queda de Getulio
Vargas, o folheto A volta de Getúlio. Os primeiros mil exemplares
esgotaram em apenas dois dias. Quando Otávio Mangabeira assumiu o governo da
Bahia, em 1946, Rodolfo não perdeu a oportunidade e lançou o folheto ABC de
Otávio Mangabeira.
A
propósito desse fato, conta-se que certo dia, quando estava vendendo seus
folhetos na rua, chegou um oficial do gabinete do governador e “convidou-o”
para se apresentar ao chefe do Estado que, para surpresa de Rodolfo, disse que
havia gostado do seu folheto ABC de Otávio Mangabeira. Depois de uma
amigável conversa, o governador perguntou ao cordelista o que poderia fazer por
ele. Rodolfo imediatamente falou sobre a falta de liberdade para vender seus
folhetos. O governador, que gostava desse tipo de literatura, logo determinou
que o trovador Rodolfo Cavalcanti podia comercializar seus folhetos em qualquer
praça do estado da Bahia.
Livre de
perseguições e motivado pelo III Congresso Brasileiro de Escritores (Salvador,
1950), começou a vislumbrar a possibilidade de um evento dessa natureza para a
classe dos trovadores. A partir daí, começou a trabalhar nessa direção, fazendo
parcerias, articulando-se com pessoas influentes no meio cultural, político e
econômico. Em 1954, conseguiu uma coluna no Diário da Bahia chamada
“Quando falam os trovadores”, e iniciou, também por conta própria, a edição do
jornal A Voz do Trovador.
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